Entrevistas

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Os rios que voam pelos céus do Brasil

22/03/2011

Categorias: Direito ao Meio Ambiente Saudável e Sustentável, Direito à Segurança Hídrica e Alimentar

Na semana em que comemoramos o Dia Mundial da Água - 22 de março, data criada pela ONU em 1993 com o objetivo de promover anualmente atividades de conscientização sobre a importância da preservação da água no planeta – fomos conhecer um dos projetos patrocinados pelo Programa Petrobras Ambiental, o Projeto Rios Voadores. O termo ‘rio voador’ descreve com toque poético um fenômeno real, os cursos de água atmosféricos que passam em cima das nossas cabeças transportando umidade e vapor de água da bacia Amazônica para outras regiões do Brasil. Fenômeno que a maioria desconhece e que afeta diretamente a vida de todos nós, pois a umidade pode ser transformada em chuva, crucial para a agricultura, geração de energia e outras atividades da economia. Responsáveis pelo projeto, o casal Gérard e Margi Moss, naturalizados brasileiros, viajam pelo país estudando as águas desde 2003. Margi Moss é quem explica melhor o Projeto Rios Voadores e suas ações.

 

1 -  O fenômeno dos Rios Voadores é ligado às florestas de uma maneira geral, ou algo característico da floresta Amazônica?

 

Margi - Não são todas as florestas que geram rios voadores, e existem rios voadores em outras partes do mundo. Porém, esse fenômeno no Brasil é decorrência da floresta Amazônica e acontece tanto pela própria existência da floresta como pelo fenômeno dos ventos alíseos que sopram do mar para o oeste, trazendo a umidade e dando o ponta pé ao ciclo hidrológico. Preservando a floresta, garantimos que o fenômeno continue acontecendo, levando umidade para outras regiões do país.

 

2 - Quando surgiu o programa educativo dentro do projeto e porque foi criado? Vocês sentiram que havia essa demanda? 

 

Margi - Na verdade, desde o Brasil das Águas (projeto que teve início em 2003 e término em 2004, projeto “mãe” do Rios Voadores, também patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental) trabalhamos na educação. Na época,  em parceria com Amigos da Escola e desde então,  recebemos e-mails de professores, alunos e pessoas com interesse em temas relacionados com água. O Educacional surgiu nesta segunda fase do Projeto Rios Voadores (2010-2012) com a intenção de levar para dentro das salas de aula o conhecimento da existência do fenômeno rios voadores. Quem mora muito longe da Amazônia pensa que ela não tem nada a ver com sua vida se importa pouco com o que acontece por lá. Entendendo melhor os serviços ambientais prestados pela floresta, é o caminho para lutar pela sua preservação. Nosso objetivo agora é de forma didática apresentar o tema para professores de seis cidades selecionadas, por onde passam os rios voadores: Chapecó, Cuiabá, Ribeirão Preto, Uberlândia, Londrina e Brasília. Esses professores da rede pública, depois de capacitados por sua vez, darão aula aos alunos sobre os rios voadores.

 

3 - Como o voluntariado pode agir na conscientização da importância da água, de sua preservação e pureza?

 

Margi - Qualquer pessoa que aprende sobre a importância da preservação da água e entende que a floresta Amazônica tem um papel importante na geração de umidade que posteriormente pode se converter em chuva em nossa região vai lutar para preservar tanto as águas como a sua fonte, que é a floresta. Acho que todos que acreditam no assunto viram voluntários ao retransmitir seus conhecimentos a outras pessoas, sejam no âmbito familiar, no trabalho ou na escola. 

 

4 - Pela experiência nesses anos viajando pelo país, o povo está mais consciente da importância de preservar a água?

 

Margi – Temos observado que com o passar dos anos e a crescente divulgação de temas ambientais, está aumentando a conscientizando do povo ribeirinho e dos grandes centros, que com pequenos gestos e pequenas mudanças de hábitos dentro de sua própria casa pode fazer diferença e estar assim colaborando com a preservação da água e do meio ambiente. Em contrapartida, ainda sentimos falta de ações em proporções maiores, como a mobilização de todos os municípios e os órgãos públicos, cuja responsabilidade é instalar sistemas de tratamento de esgoto e aterros sanitários. Há muito a ser feito para vivermos numa sociedade sustentável. Cada um pode fazer sua parte em casa, mas precisamos urgentemente que os governantes levem esse assunto a sério.